Tomada de decisão e pensamento crítico

Pensamento crítico na universidade: melhorar, confiar e decidir não são a mesma coisa

Dois estudos sobre apoio de IA e negociação ajudam a separar desempenho avaliado, confiança pessoal e evidência de causalidade.

Evidência limitada6 min de leituraPublicado em 16/10/2026Atualizado em 16/10/2026
Compartilhar:
WhatsApp LinkedIn

Um estudo com estudantes na Tailândia encontrou melhora em avaliações após atividades com ChatGPT; outro, no Vietnã, identificou associações entre recursos emocionais e confiança para negociar. [1][2] Os resultados abordam aspectos diferentes da formação para decidir e não demonstram, isoladamente, que a IA ou a inteligência emocional causem melhores decisões. [1][2]

Pontos principais
  • Na intervenção com ChatGPT, 32 estudantes melhoraram suas pontuações em pensamento crítico e tomada de decisão, mas não houve grupo de comparação. [1]
  • Entre 222 estudantes de economia, a inteligência emocional teve a associação positiva mais forte com a autoeficácia para negociar no modelo analisado. [2]
  • Confiança para negociar não equivale a desempenho objetivo em negociação nem a uma medida direta de pensamento crítico. [2]
  • Os estudos oferecem evidência limitada: investigam populações específicas, usam medidas diferentes e não sustentam conclusões causais. [1][2]

Introdução

O que deveria contar como sinal de que alguém está aprendendo a decidir melhor: uma pontuação mais alta em uma avaliação, uma justificativa mais cuidadosa ou maior confiança para enfrentar uma negociação? Antes de escolher uma estratégia de ensino, vale esclarecer qual dessas perguntas se pretende responder.

Dois estudos no ensino superior permitem explorar essa distinção. Um acompanhou atividades de aprendizagem baseada em problemas com apoio do ChatGPT, na Tailândia. O outro examinou relações entre fatores psicológicos e autoeficácia para negociar emprego entre estudantes no Vietnã. Ambos se aproximam do pensamento crítico, mas por caminhos e medidas diferentes. [1][2]

A questão central não é escolher entre tecnologia e recursos emocionais. É perguntar o que cada pesquisa efetivamente observou — e até onde suas observações autorizam uma conclusão. Nesse caso, melhorar em avaliações, perceber utilidade em uma ferramenta e sentir-se capaz de negociar precisam permanecer como resultados distintos. [1][2]

O que as pesquisas investigaram

O primeiro estudo envolveu 32 estudantes de graduação de uma disciplina de Análise de Otimização em uma universidade pública tailandesa. Durante oito semanas, o ChatGPT foi integrado às atividades como parceiro de apoio à decisão. Sua participação abrangia análise de informações, geração de alternativas, avaliação de evidências e justificativa de decisões. [1]

A pesquisa combinou métodos quantitativos e qualitativos. Os estudantes fizeram avaliações de competências de pensamento crítico e tomada de decisão antes e depois da intervenção. Também foram realizadas entrevistas semiestruturadas, examinadas por análise temática. O desenho foi quase-experimental, com um único grupo: não houve uma turma de comparação sem o apoio da IA. [1]

Essa configuração permite verificar mudanças no grupo ao longo do período, mas não isolar o componente responsável por elas. A intervenção reuniu a ferramenta, a aprendizagem baseada em problemas e as demais experiências da disciplina. Portanto, a pergunta respondida é mais restrita do que “o ChatGPT melhora o pensamento crítico?”. [1]

O segundo estudo utilizou dados de questionários de 222 estudantes de graduação em economia no Vietnã. Os pesquisadores analisaram relações entre experiências de domínio, persuasão verbal, estados fisiológicos e afetivos, inteligência emocional e autoeficácia para negociação de emprego. A técnica utilizada foi a modelagem de equações estruturais por mínimos quadrados parciais, conhecida pela sigla PLS-SEM. [2]

Tratou-se de uma pesquisa observacional, não de uma intervenção que distribuísse estudantes entre diferentes treinamentos. Embora os autores conceituem a negociação como aplicação do pensamento crítico, o resultado investigado foi a autoeficácia para negociar. Esse indicador não deve ser confundido com o desempenho observado em uma negociação real. [2]

O que foi encontrado

No estudo tailandês, as pontuações posteriores à intervenção foram superiores às anteriores nas duas competências avaliadas. Os autores relataram diferenças estatisticamente significativas para pensamento crítico, com p = 0,001 e d = 0,61, e para tomada de decisão, com p = 0,001 e d = 0,56. O indicador d expressa o tamanho padronizado da diferença relatada. [1]

Os estudantes também apresentaram percepções positivas sobre o apoio da IA, especialmente para analisar informações, avaliar evidências, explorar alternativas e justificar escolhas. Nas entrevistas, a análise temática identificou quatro processos de colaboração humano–IA: análise de informações, geração de alternativas, avaliação crítica e tomada de decisão baseada em evidências. [1]

Esses achados precisam ser mantidos em seus respectivos lugares. As avaliações registram mudanças nas competências medidas; as entrevistas descrevem percepções e processos identificados nos relatos. A percepção positiva não substitui a avaliação, e a melhora nas pontuações não demonstra, sozinha, que a ferramenta a causou. [1]

Na pesquisa vietnamita, a inteligência emocional apresentou a associação positiva mais forte com a autoeficácia para negociar dentro do modelo analisado. Em seguida apareceram a persuasão verbal e os estados fisiológicos e afetivos. O material fornecido não apresenta magnitudes dessas associações, intervalos de confiança ou valores de p. [2]

Já a experiência de domínio obtida em atividades de negociação em sala de aula não apresentou associação estatisticamente significativa, segundo o resumo. Isso não demonstra que praticar negociações seja inútil: o resultado se refere à relação examinada naquele modelo e naquela população. [2]

Os autores sugerem que atividades predominantemente em grupo podem não oferecer responsabilidade individual, retorno personalizado e pressão decisória realista suficientes para fortalecer a autoeficácia. Contudo, essa é uma interpretação proposta para o resultado; o resumo não mostra que esses mecanismos tenham sido diretamente testados. [2]

Como interpretar

A primeira distinção é entre mudança temporal e efeito causal. No estudo com ChatGPT, houve melhora depois da intervenção. Sem um grupo de comparação, porém, não é possível separar a contribuição da IA daquela da aprendizagem baseada em problemas, da prática com as avaliações ou de outras mudanças durante o curso. A significância estatística das diferenças não resolve essa limitação do desenho. [1]

A segunda distinção é entre associação e direção da influência. No estudo sobre negociação, o modelo relacionou fatores psicológicos à autoeficácia, mas o desenho observacional não estabelece causalidade. O resumo também não informa a temporalidade da coleta nem o controle de possíveis fatores de confusão. Assim, seria excessivo concluir que aumentar a inteligência emocional produziria, necessariamente, maior confiança para negociar. [2]

A terceira distinção envolve o que foi medido. O primeiro trabalho utilizou avaliações de competências, além de entrevistas; o segundo analisou autoeficácia para uma tarefa específica. Não cabe colocar os resultados na mesma escala ou afirmar que uma abordagem foi superior à outra. Eles não compararam as mesmas intervenções nem os mesmos desfechos. [1][2]

Existe uma diferença que merece atenção: enquanto a experiência educacional com IA coincidiu com melhora nas avaliações, as experiências de negociação em sala não tiveram associação significativa com autoeficácia no outro estudo. Isso não constitui uma contradição direta. As pesquisas diferem em população, desenho, atividade e medida de resultado. [1][2]

Para pensar aplicações educacionais, uma proposta prudente é formular objetivos verificáveis: pretende-se melhorar a análise de evidências, a justificativa de escolhas ou a confiança para negociar? Como exercício de planejamento, pode-se pedir que o estudante explicite alternativas, razões e incertezas, sem tratar essa proposta como uma intervenção de eficácia comprovada pelos dois trabalhos.

Pontos de cautela

A intervenção com IA foi curta e localizada: oito semanas, 32 estudantes, uma disciplina e uma instituição. O resumo não informa acompanhamento posterior, propriedades de validade dos instrumentos, detalhes sobre perdas de participantes ou número de entrevistados. Não se pode afirmar, com esse material, que a melhora persistiu ou se transferiu para decisões fora do curso. [1]

Na pesquisa sobre negociação, a amostra ficou restrita a estudantes de economia no Vietnã. Faltam informações sobre estratégia de amostragem, instrumentos e duração da pesquisa. Além disso, a ausência de significância para experiências em sala não comprova ausência de associação, e a autoeficácia não autoriza conclusões sobre sucesso objetivo em negociações. [2]

Nenhuma das fontes foi identificada como preprint nos dados fornecidos. Ainda assim, os resumos e metadados disponíveis não bastam para confirmar os procedimentos de revisão por pares, e não há informações sobre conflitos de interesse. [1][2]

A conclusão mais defensável é delimitada: houve melhora temporal em competências avaliadas numa experiência com IA e associações entre recursos psicológicos e confiança para negociar em outro contexto. [1][2] Para quem busca pensar criticamente, o exercício começa aqui: reconhecer o resultado sem ampliá-lo além daquilo que o desenho da pesquisa permite.

Aplicações práticas

Ao avaliar uma proposta educacional, defina primeiro o resultado desejado: competência avaliada, qualidade da justificativa ou confiança pessoal. Como roteiro de reflexão, peça que o estudante apresente alternativas, evidências, incertezas e razões para a escolha. Se houver uso de IA, examine o raciocínio apresentado, não apenas a percepção de utilidade. Essas são sugestões de planejamento, não práticas cuja eficácia tenha sido demonstrada por estes dois estudos.

Limitações das evidências

A síntese se baseia nos resumos, metadados e análises fornecidos. O estudo com IA teve grupo único, 32 participantes e oito semanas, sem permitir isolar o efeito da ferramenta. [1] O estudo sobre negociação foi observacional, com 222 estudantes, e investigou autoeficácia, não desempenho objetivo; faltam detalhes sobre temporalidade, instrumentos e controle de confundidores. [2] As diferenças de desenho e desfecho impedem uma comparação direta de eficácia. [1][2]

Avaliação da evidência

As fontes sustentam melhora pré–pós em avaliações durante uma intervenção educacional com IA e associações entre fatores psicológicos e autoeficácia para negociar. Não sustentam causalidade, superioridade entre abordagens ou generalização ampla para outros contextos. [1][2]

Achou esta síntese útil? Compartilhe com quem também precisa saber.

WhatsApp LinkedIn

Referências

  1. [1]Wasukree Sangpom, Narongsak Sangpom (2026). Artificial Intelligence as an Educational Decision Support System in Problem-Based Learning: Critical Thinking, Decision-Making, and Human–AI Collaboration in Higher Education. Journal of Intelligent Decision Making and Information Science doi:10.59543/jidmis.v3.1074
  2. [2]Ngo D, Ladanyi M, Bozsik N (2026). Cultivating Negotiation Skills As Critical Thinking: An Analysis of Emotional Intelligence and Self-Efficacy's Roles among Vietnamese Students. Decision Making Advances doi:10.31181/dma412026184
pensamento críticonegociaçãotomada de decisãointeligência artificialensino superiorautoeficácia
Sobre a autoria
Texto produzido com auxílio de inteligência artificial a partir de publicações científicas identificadas, com verificação automatizada de referências e supervisão editorial humana. Modelo utilizado: openai/gpt-6-astra. Encontrou um erro? Veja como solicitar correções.